A vesícula biliar é um pequeno órgão localizado sob o fígado, responsável por armazenar a bile — substância produzida pelo fígado que auxilia na digestão de gorduras. Quando cálculos (pedras) se formam dentro dela, podem causar dor intensa, inflamação (colecistite) e complicações como pancreatite e obstrução das vias biliares.
A presença de cálculos sintomáticos é a indicação mais comum da colecistectomia. Uma vez que a vesícula passa a ser fonte de dor ou infecções de repetição, sua retirada é definitiva e resolutiva — o corpo adapta-se sem ela, com a bile passando a fluir diretamente do fígado para o intestino.
Dado importanteA colelitíase (pedras na vesícula) afeta cerca de 15 a 20% da população adulta brasileira. Nem todos precisam de cirurgia — apenas os casos sintomáticos ou com risco de complicações têm indicação cirúrgica.
Antes da laparoscopia, a cirurgia exigia uma incisão de 10 a 15 cm no abdome — a chamada colecistectomia aberta. Hoje, com a via laparoscópica, o mesmo resultado é alcançado através de 3 a 4 pequenas incisões (de 0,5 a 1,2 cm), com uma câmera de alta resolução e instrumentos específicos.
As vantagens são expressivas:
O preparo pré-operatório envolve alguns passos fundamentais:
A colecistectomia laparoscópica é realizada sob anestesia geral e dura, em média, 30 a 60 minutos. O cirurgião insere o laparoscópio por uma incisão próxima ao umbigo, com visualização ampliada na tela. Por outras incisões, os instrumentos cirúrgicos são introduzidos para dissecar e remover a vesícula com segurança.
O dióxido de carbono (CO₂) é utilizado para insuflar o abdome, criando espaço para o trabalho cirúrgico. Após a remoção da vesícula, o gás é evacuado e as incisões fechadas com pontos absorvíveis ou cola cirúrgica.
Quando a cirurgia aberta pode ser necessária?Em casos de colecistite aguda grave com muitas aderências, ou quando ocorre alguma complicação durante a laparoscopia, pode ser necessária a conversão para cirurgia aberta. Isso é sempre decidido em função da segurança do paciente — não é um fracasso cirúrgico, mas uma decisão clínica criteriosa.
Nas primeiras horas após a cirurgia, é normal sentir alguma dor nas incisões e uma sensação de distensão abdominal pelo gás CO₂ residual. Muitos pacientes relatam também dor no ombro direito — causada pela irritação do diafragma pelo gás, que desaparece em 24 a 48 horas.
A dieta começa com líquidos e progride para alimentos leves nos dias seguintes. O retorno à dieta normal ocorre gradualmente, com preferência por alimentos de baixo teor de gordura nas primeiras semanas.

Cirurgião Geral · CRM SE 6422 · RQE 4052
Cirurgião Geral especializado em laparoscopia e cirurgias do aparelho digestivo. Atua no Hospital Renascença em Aracaju/SE com foco em técnicas minimamente invasivas e atendimento humanizado.
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CRM SE 6422 · RQE 4052